E o que se leva dessa vida se não a batida perfeita? Aquela batida que trás os sorrisos amigos de volta, que reacende a meninice de outrora que vem junto com cheiro da pitanga vermelha, acabada de colher do pé, a mesma pitanga de anos atrás, a única pitanga capaz de trazer lembranças doces de tempos que já não voltam, mas que permanecem.
A batida perfeita evidencia o gosto doce do mamão fresco pela manhã que se mistura com o cheiro do café feito pelas mãos meigas de quem a conhece bem.
Ah.. a simplicidade da batida perfeita eriça-nos os pêlos, dilata-nos as pupilas e as narinas. Poucos sentem a calma que surge por entre as folhas que balançam ao ritmo da batida perfeita.
Ah.. a suavidade da batida perfeita. .. poucos a sabem reconhecer. Mas quando a reconhecem é possível ser-se pleno, límpido, despido de qualquer receio, medo ou pudor...
Deste lado do mar tem feito frio. Muito frio. Os dias ficaram cinzentões, e as nuvens não têm a culpa toda.
Do lado de cá, no meu lado de dentro que passou a ser o teu lado de fora, não é só o sol que falta. Esse ainda vai espreitando de vez em quando, pinta o topo das árvores de dourado ao início da manhã, insistindo em não se deixar esquecer. Do lado de cá, do nosso lado de dentro, falta outro brilho. O brilho que pintava as nossas manhãs de dourado para condizer com o topo das árvores, o brilho do sorriso largo que fazia valer a pena levantar da cama tão cedo e do olhar vivo que continuava a ver-nos mesmo quando já não estávamos lado a lado.
Do lado de cá falta o sotaque. Falta o espírito tropical que sacudia as gargalhadas como mais nenhum de nós sabia fazer. Falta o olá cantarolado logo às oito da manhã, a palavra enérgica na ponta da língua que tornava impossível ficarmos do lado dos sisudos por mais um segundo que fosse.
Deste lado às vezes chove, o dia fica feio e não tem quem o contrarie. Quem ria dos meus esquecimentos, quem solte um “ô maaaaartaaaaa!” quando ouve as complexidades de problemas que eu própria tratava de inventar.
Este costumava ser o nosso lado de dentro, das duas, das três, de todos os que te viam entrar pela porta dentro e sorriam em antecipação porque já sabiam que alguma coisa simpática ia ecoar pelo corredor. O lado de dentro que já começava a ter sotaque, e que quando o sentia desvanecer-se te recambiava para o Brasil para o ires recuperar.
O nosso lado de dentro vai ficar com sede da água de coco, as nuvens deste inverno vão parecer bem mais cinzentas e pesadas quando ninguém “rodar a baiana” para as enxotar dali pra fora e trazer ao nosso pequeno lado o sol que nos aquece o espírito.
No nosso lado de dentro falta o teu lado. O lado que levaste para o lado de lá, para o lado de fora de onde vinham os pés-de-moleque e os papás que vinham recarregar as baterias à Érica, à nossa Érica, que ficava logo com o lado brasileiro duplicado e multiplicado em sorrisos e alegria que coloriam o lado de cá.
No nosso lado de dentro falta o teu lado. O nosso lado de fora, que agora é o teu lado de dentro, levou-te para o lado de lá do mar. Mas não seremos o teu lado de fora. Porque o lado bom das coisas é o que fica na memória, e tu és esse lado do curso que tirei.
Porque o nosso lado de dentro não se vira do avesso nunca, e estaremos sempre do mesmo lado.
Ir às compras de Natal no subúrbio carioca, numa manhã chuvosa (estratégia ideal para não derreter com o calor, afinal é preferível deixar-se molhar), é algo um tanto quanto hilariante. E diria mesmo... que é algo um tanto quanto desconcertante, senão irritante.
É impossível ignorar o "cheiro da classe média-baixa" carioca (e não digo isso a fazer pouco, muito pelo contrário, afinal me enquadro no grupo... que fique bem claro!) nos becos e ruas suburbanos que circula entre os olhares duros, cansados e rotos da labuta ingrata. Aquele cheiro se mistura com o suor do trabalhador, que diariamente, é transformado num autêntico panfleto ambulante para conseguir o seu ganha-pão. Aquele cheiro se mistura com o odor dos bueiros quentes que exalam um perfume perturbador, vez por outra, quando a chuva cai forte. Aquele cheiro se mistura com a briga pelo freguês que deambula à procura de tudo um pouco.
O “cheiro da classe média-baixa” é aquele que se mistura com os ruídos dos "marketeiros" de plantão... Porque ouvimos, ininterruptamente, meninas (os) de todas as cores e vestimentas imagináveis (como chinelos de dedo + calções curtíssimos + t-shirt roxa, + cabelo sarará arrepiado e cigarro entre os dedos) a gritarem (com todo o ar que os seus pulmões permitem) "Dentista!?"; "Orçamento grátis!"; “Óptica?”; "Bom Dia, Empréstimo?". E gritam MESMO!
E se ao passar por um (a) deles (as) olhas ,nem que por curiosidade, zás! "Dentista menina?!" perguntam como que a invadirem sua privacidade e, por vezes, impacientes. “Temos a primeira consulta com orçamento grátis!” – afirmam como se fosse a melhor oferta do mundo e sem perderem o sorriso. Presumo que devam sonhar e acordar a repetir a ladainha diária a qual estão habituados (as). Pois eu, que estive apenas 20 (“dentista?!”) minutos dentro de uma das lojas (“dentista?!”) daquele beco do (“dentista?!”) inferno, (“dentista?!”) me perguntava como nunca tinha ouvido (“dentista?!”) tanto ruído (“dentista moço?!”) antes (?). Me perguntava – isso as vezes que conseguia formar algum tipo de raciocínio sem ser interrompida pela pergun.. DENTISTA?!), como aquelas vendedoras conseguiam trabalhar sem perderem a concentração total todos os dias (?). Afff....
E prosseguimos, finalmente, entre ruídos menos dolorosos, com as famigeradas compras de Natal. Desta vez, entre as gotas grossas e quentes da chuva, o que se ouvia era a rádio móvel da Globo, presente no local e rodeada de curiosos. E, mesmo ao lado, o que se ouvia era o som dos animadores a tentarem captar a atenção dos passantes, para os jogos que escondiam as dicas na luta contra o HIV. E, mesmo ao lado, o que se ouvia era a voz das conversas das pessoas alheias ao resto, que caminhavam e falavam como se a rua fosse delas e ninguém mais as pudesse ouvir. Simplesmente passavam e, entre esbarrões e pisões nas poças d’água (que me molhavam inteira, diga-se de passagem), podíamos ouvir em segundos frases soltas, variadas que despertam o riso de qualquer um...“Menina viu o carinha ficou me olhando mermo! Ninguém merece!”; “Caraca! Que lindo o vestido. Ai que raiva!! Caro!”; “Pô mãe! (...)”; Aí pega então o negócio pra mim (...);"Preciso dessa folguinha amanhã (...)”
E... os ruídos inquietantes dos que chamamos "povão", das "muvucas", “dos pessoal”, nada mais são do que o som alegre e amargo da realidade do brasileiro suburbano. E aí... Vai encarar?
Quero falar.. de qualquer coisa, de qualquer assunto ou facto. Facto? Não me parece... o melhor mesmo são os fatos. Porque hoje quero falar em brasileiro. Quero falar "mermo". E vou. Falar das paradas, dos negócios, dos breguetes... do que só brasucas entendem, do que só os cariocas sacam, pescou? Então perdeu parceiro! Fica ligado se não fica na pista!
Quero falar. "Xeu falá!" Falá como me dá na telha, falá do que realmente imporrrta... da alma brasileira e carioca... Já que sou brasieira "despencando da ladeira na zoeira da banguela", quero falá dessa alma brasileira.
Quero falar do cheiro de sol e mar, da gentileza que gera gentileza, do cidadão passageiro do ônibus lotado que se oferece para ajudar quem está de pé e com infinitas sacolas nas mãos . Falá das meninas do subúrbio que " ignoram" a lata de lixo mais próxima e jogam suas garrafas de plástico, ali mesmo, em frente a praia. Quero falá deste misto de gentileza, rudeza e simpatia que rodeiam os cariocas... xeu falá!
Falá das crianças descalças que correm atrás das pipas e 'roubam' acerolas do quintal vizinho. Falá da hipocrisia da segurança para as Olimpíadas e Copa do Mundo. Falá daqueles que se dão ao trabalho de andar 10 minutos a pé contigo, só para te mostrar onde fica o endereço que procura. Xeu falá!
Falá dos altos e baixos, dos pontos fortes e fracos... que são sem dúvida a gente, o povo, a raça , mas também o medo, a insegurança.. Xeu falá! Do que tá mal.. mas do que é bom de mais! Falá do jeitinho carioca...
«Carioca não diz SIM, fala JÁ É; Carioca não entende, se liga; Carioca não reclama, protesta; Carioca não mente, manda um caô; Carioca não fala OI, fala COÉ; Carioca não fala vai, fala METE O PÉ ou VAZA. Carioca não pede desculpas, diz FOI MAL; Carioca não diz Obrigado, diz VALEU; Carioca não passeia, dá um ROLÉ ; Carioca não fala "MEU", fala "MANÉ"; Carioca não fala como os paulistas"TÁ ME TIRANDO, MANO?", fala "TÁ DE SACANAGEM NÉ!" Carioca não ouve música, escuta um batidão; Carioca não atende o celular dizendo ALÔ, e sim dizendo FALA AÊ; Carioca não dá idéia , manda uma real! Carioca não fica chateado, carioca fica BOLADO! Carioca não conversa, DESENROLA; Carioca não sai escondido, carioca dá um perdido; Carioca não paga R$200,00 pra ver U2, carioca vai à praia e vê os Stones de graça!! Carioca não pede por favor, fala NA MORAL... Carioca não é marrento, é CARIOCAAA!! Carioca nao usa tênis, vai de havaianas mesmo! Carioca não fala tá certo, fala TÁ TRANQUILO!! Carioca não fala deixa comigo, mas É NÓIS, TAMO JUNTO, TUDO NOSSO! Carioca quando chega em outro lugar, 'nego' já sabe que é carioca só pelo jeito de andar!!! Carioca não pensa , carioca faz e pronto. Carioca não pergunta: "O QUE ACONTECEU? diz: "QUAL FOI?" Carioca não fala "OI TUDO BEM?", manda logo um COÉÉÉÉÉEÉ PARCEIRO,TRANQUILIDADE IRMÃO?"; Ser carioca não é só NASCER NO RIO.. É UM ESTILO DE VIDA!!!!»
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Quando menos se espera tudo muda. Quando menos se espera é possível sentir a felicidade. Quando menos se espera novos sorrisos vêm ao teu encontro. Quando menos se espera a vida dá uma volta gigante. Quando menos se espera tudo pode acontecer. Quando menos se espera... É verdade que quem procura acha, mas quem espera pouco (da vida, dos outros, de si mesmo) encontra muito mais.
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
‘-Ah, terminei o namoro… -Nossa, estavam juntos há tanto tempo….. -Cinco anos…que pena…acabou…. -é…não deu certo…’
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes voce não consegue nem dar cem por cento de voce para voce mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para voce e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona… Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…se não bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar…. ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração….. Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse…. A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar… Ou se apaixonar… Ou se culpar….
"Me lembro do dia em que você nasceu. Ou melhor , me lembro quando fomos ao hospital para trazer-te para casa. Era uma manhã ensolarada e quente. Seu pai não parava de chorar .Segundo tua avó Suely , parecia um joelho. Mas uma semana depois ficou bonitinha. Feliz aniversário minha querida sobrinha! Um beijão !" - Esta foi uma das muitas mensagens que recebi hoje. Sem dúvida é a minha favorita... traz-me lembranças doces.
Fiz anos. Um dia comum, um dia simples, um pouco meu...
Parte de mim agradece ao tudo que tenho, ao tudo que sou, ao tudo que com muito suor conquistei. E parte de mim quer sempre mais, não se conforma, exige, cobra, por vezes bloqueia e deseja o impossível... Mas parte de mim está cansada de tentar, cansada de ser julgada, exausta dos olhos alheios, enquanto parte de mim faz de tudo... trabalha, dança, ri, goza, aprende, cresce, tenta, cai, levanta. Parte de mim quer saber: Se sei que não me falta nada, porquê sinto que não tenho tudo? Egoísmo? Talvez. Parte de mim quer apenas ser feliz amanhã, mas parte de mim é feliz hoje.
Porquê se comemoram os aniversários? - O filho perguntou
A mãe respondeu:
- Cada ano que vivemos é o período em que, junto com a Terra, damos uma longa volta em torno do sol. Ao mesmo tempo, a cada dia que passa, a Terra dá uma volta pequena em torno do próprio eixo. Junto com ela giramos nós, em torno dos afazeres do dia a dia. E é nesses afazeres que nossa personalidade age. Mas, na longa volta em torno do Sol, é a nossa alma que actua no grande trabalho evolutivo. Ao fim de um ano, precisamos do abraço e do calor humano dos amigos, que nos dão a força e a coragem para mais. Essa comemoração é o impulso para girarmos mais uma vez.
- Mãe, e as velas do bolo?
- Representam todos os anos já vividos e cumpridos. A chama que sobe leva até a divindade todo o empenho e todo o ardor que pusemos em nossos esforços, e os amigos, com seu amor por nós, cantam em louvor do trabalho de mais um ano. Nesse ponto, sopramos as velas, como quem diz: "Isto já foi cumprido. Agora, estou pronto para mais."
Respirando o ar denso e citadino da miscigenada Lisboa, a sobrinha-neta, que raramente aparece para visitas familiares, experimentou dias peculiares. A tia-avó, cujos 71 anos e bronquite aguda não a afastam do trabalho duro diário, já não via sua sobrinha-neta há muito e fez questão de exibir aos colegas de labuta aquela que lhe trás boas recordações dos seus que moram longe.
A tia-avó sente-se sozinha, muitas vezes frágil, mas tem de ganhar o pão de cada dia, afinal o dinheiro da reforma dela e do marido - de 79 anos - "não chega para pagar as contas ao fim do mês". A casa é humilde, simples, pouco tem para entreter a jovem sobrinha-neta, que durante quatro dias manteve-se desligada do seu mundinho, mas esteve entretida entre os dias esgotantes da tia-avó que respira com dificuldade, mas que sorri contente pela presença da tão esperada visitante.
"Amanhã vais comigo para o trabalho, quero apresentar-te aos meus colegas e mostrar como é bonita a minha sobrinha-neta." Diz a tia-avó.
O dia começa cedo nos arredores da grande Lisboa e no Mercado de Benfica. As 6:30 já estavam todos a pé. E o ritual seguiu-se. Por volta das 7h já estavam junto ao balcão a sobrinha-neta e a tia-avó. O extenso mercado citadino aglomera balcões de frutas, carne, peixe, legumes e verduras e, claro, o balcão da tia-avó de queijos e charcutaria. Há mais de 30 anos que se repete a rotina e é de praxe:
«É preciso abrir tudo, destrancar os frigoríficos, remover os panos que cobrem o balcão, os armários... é preciso receber a mercadoria dos fornecedores, organizar cautelosamente os produtos, pendurar os chouriços, desembalar os queijos frescos (...)» explicava, com ar exausto, a tia-avó.
«Como aguenta tanto trabalho, oito horas ininterruptas de pé, todos os dias a repetir sempre o mesmo ritual há mais de 30 anos?» Questionava-se a sobrinha-neta enquanto tentava sorrir. «A Senhora precisa diminuir o ritmo, não pode dar tanto de si com a saúde tão debilitada.» Diz a sobrinha-neta à tia-avó, que pacientemente explica: «Não é fácil minha filha, como vês. Mas ninguém nos dias de hoje quer este tipo de serviço, é impossível arrumar alguém de confiança. Já aproveitaram-se de mim, por isso mais vale ser eu a fazer. Hei-de trabalhar até morrer. O teu tio já não ajuda muito. Não tenho familiar próximo que queira o negócio, ainda mais nos dias que correm, em que os lucros não são nada bons...». E a jovem suspira num misto de pena e remorso por não poder fazer muito mais pela tia-avó e silencia.
Enquanto corria o dia a sobrinha-neta observa atenta os movimentos já inconscientes de anos de trabalho da tia-avó. Estranhava o cheiro do lugar, os ruídos perturbadores de frigoríficos, máquinas a trabalhar e pessoas a falar... ruídos que misturavam-se incessantes e ecoavam forte naquele extenso salão. Bom dia Sofia! Bom dia Zé! Bom dia... e seguiram-se os cumprimentos habituais aos antigos colegas de trabalho que cuidam da tia-avó como se da família deles fosse.
"Já estava preocupada com a senhora - diz Sofia do balcão ao lado. É sempre a primeira a chegar e hoje demorou". E responde a tia-avó sorridente: "É que hoje trouxe a minha sobrinha-neta! Ela não está habituada a levantar-se tão cedo. É bonita não é?" - indaga orgulhosa. "É sim senhora! Parabéns! Então hoje tem boa ajuda!" - finaliza Sofia.
A sobrinha-neta que se manteve atenta a todos os pormenores, matutava como era possível que sua tia-avó ainda tivesse ânimo e vontade de trabalhar. Ela estava lá há tão poucas horas e já lhe doíam as pernas (!). Mas esforçou-se para compensar, num único dia, o cansaço acumulado de anos de trabalho da tia-avó. E vendeu seu primeiro queijo! Sentiu-se útil e sorriu. E entre um cliente e outro ouvia histórias, conversas disparatadas sobre política, sobre doenças, sobre a dor de ser-se velho. Mas também ouvia elogios dos clientes fiéis que ainda fazem questão de comprar com a sua tia-avó: "Ah que bonita sua sobrinha-neta!"; "Que bom que ela veio ajudar-te"; "É muito simpática, tem parecenças com a senhora!"
Ao fim de algumas horas a sobrinha-neta sentiu-se grata e contente por poder partilhar aquele dia com a tia-avó. Sentiu-se triste por não poder fazê-lo mais vezes e entendeu o quão difícil é a vida para uns e o quão fácil é para outros.
Mercado de Benfica
A construção do Mercado de Benfica iniciou-se em 1970, tendo sido o último mercado municipal a ser inaugurado antes do 25 de Abril de 1974. Abriu as suas portas ao público no dia 19 de Outubro de 1971, tendo em 2008 celebrado 37 anos de existência.
O Mercado de Benfica possui mais de 150 postos de venda, constituindo um importante ponto de comércio. Em particular, aos sábados de manhã, este mercado atrai um número considerável de clientes, (vindos de paragens mais longínquas do que a simples freguesia) que inundam de trânsito as ruas limítrofes.
Violentamente Pacífico é um vídeo de Gabriel Teixeira realizado no Bairro da Paz(Periferia de Salvador-BA) em entrevista à Ras Mc Léo Carlos, cidadão activamente cristão e morador do bairro. Uma lição que vem de baixo.
Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para casar com o que sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida, nem em goza-la penso. Só quero torna-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo (e a minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que assim em mim tornou o misticismo da nossa raça.